Jayla Venancio

Claws: as unhas mais bonitas que você verá na vida!

16:59:00


   Antes de iniciar nossa conversa, quero alertar que falaremos de uma série pesada, proibida para menores de 18 anos, por ter um conteúdo nocivo. Se você não completou a maioridade civil, ou tem problema em lidar com temas adultos, aconselho a não assistir, e muito menos ler esta resenha.

   No entanto, ainda assim, é uma resenha necessária, por tratar de questões que quase ninguém comenta. Várias questões.

   A série expõem várias realidades clichês vistas em tantas outras séries cujo os protagonistas são negros. Nada de novo ao sol. No entanto, o que mais me chamou a atenção, foi o personagem Dean Simms, irmão da Desna, personagem principal. 
   
Depois falaremos da Desna. Primeiro vamos falar do Dean. 

   
   Dean é um homem negro, que luta para ter uma vida normal igual a todo homem negro. Porém, ele tem dificuldade de aprendizagem, o que torna tudo um pouco mais difícil, mas nada é impossível só por ter algumas limitações na vida. 
   Dean, assim como todos nós, tem projetos, sonhos, necessidades e sentimentos. Dean também deseja ter filhos, se casar, amar e ser amado.

   

   A masculinidade tóxica ainda é um tema novo no movimento negro, que vem ganhando notoriedade nos últimos meses. Há a necessidade de se discutir o quanto ela atinge a vida de milhares de afro-americanos, e a forma como alimenta o racismo e o machismo, por se tratar de uma cultura derivada de europeus, pontuando sempre que a mulher deve ser sempre respeitada, e que masculinidade não deve ser quebrada tão facilmente assim. 
   

   Outro tabu, que vem ganhando uma certa notoriedade graças a Kanye West, é em torno da saúde mental da população negra. Não nos é dado o direito de surtar, de ter transtornos, de polarizar, de ter dificuldades de aprendizagem. A nós é cobrado sempre a perfeição. E quando não as alcançamos, somos jogados a margem da sociedade, e ignorados como se nunca tivéssemos existido. Aliás, após seu reconhecimento de ter sido marionete de Trump, Kanye West vem abordando sobre esse tema em seu twitter. 

   E é por isso que o personagem Dean é tão especial, através de suas peculiaridades. 

  Dean quebra vários tabus. O primeiro, tratado desde o primeiro episódio, sobre ser independente apesar de suas dificuldades. 

  Existem episódios em que Dean cuida mais da irmã do que ela cuida dele. Dean assume sua posição de homem negro perante a sociedade, e luta pra que esta imagem "forte" seja respeitada. 

   Sua posição no mundo é algo extremamente importante pra ele
   

   E para além de sua reafirmação de masculinidade, e auto conhecimento para identificar o que lhe faz mal, Dean também prova que pode trabalhar, constituir família, e acima de tudo, amar e ser amado. 



   Como operadora do direito, me recordo das últimas posições defendidas pelo alto poder judiciário, com relação ao direito dos relativamente incapazes de amar, serem amados e formar família.

   É um direito, e isso não deve ser negado. Deve ser discutido. E só porque são pessoas diferentes de você, não devem ser isoladas da sociedade. Isso não é solução. A sociedade que deve ser adaptada, para acomodar todos os iguais e desiguais, na medida que suas desigualdades os diferenciam. 


   A partir disso, passamos a falar de Desna, a personagem principal e estrela da série.

 

   Desna assume o desafio de encarar o mundo do tráfico de drogas, dominado predominantemente por homens brancos. É no seu salão de manicure que ela lava todo o dinheiro. 
   
   Repito, nada novo sob o sol. Séries sobre negros, em sua maioria, tem o tráfico de drogas como um dos temas tratados.

   Acontece, que a posição de chefe não foi conquistada com facilidade. Desna teve que encarar homens perigosos com a ajuda de suas amigas, enquanto conciliava os cuidados de seu irmão. Sua função vai além de traficante: estamos falando de uma administradora. 
   
   Desna administra tudo e cuida de todos. Infelizmente abraçou o esteriótipo da negra "mãezona", que esquece de si mesma para cuidar de seus entes queridos, e se enriquecer para dar conta de todas as dívidas e ainda alimentar seu próprio sonho de nunca mais precisar contar com tudo isso.
  

   Os episódios mais tristes são onde Desna se apaixona, e acaba sendo enganada. Sempre. Constantemente. Desna simplesmente não tem sorte no amor. Alerta de spoiler: nem nos episódios mais atuais, aquele médico romântico, acaba se mostrando um verdeiro embuste, provando mais uma vez, que a mulheres negras é negado o amor. A solidão é visível e palpável, e por mais incrível que Desna seja, ela sempre perde para uma mulher mais clara que ela. 

 
   Apesar da retratação da nossa realidade, Desna nunca esta só. E é aí, que a série trabalha com o empoderamento feminino, onde mulheres que se amam, se ajudam mutuamente, sem pensar nas consequências. Uma por todas e todas por umas. É o que torna Desna cada vez mais forte: sua união.


   Eu poderia ficar horas e horas falando dos demais personagens, nos obrigando a passar por temas como LGBT, presidiários em recuperação, subempregos, capitalismo, adoção, entre outros. Mas eu prefiro deixar vocês na curiosidade. 

   Vale a pena assistir e descobrir por si só!

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