Jayla Venancio

Black Earth Rising: o que não te contaram sobre Ruanda

10:39:00


   Ruanda ficou mundialmente conhecida pelo massacre vivido por ruandenses, por conflitos políticos internos, e pela omissão da ONU que se preocupou só em salvar os estrangeiros e deixar os demais negros morrerem. Inclusive o filme "Hotel Ruanda" expõem bem isso, e nos faz tomar uma posição política sem nos aprofundarmos na história do que de fato aconteceu.



   A série Black Earth Rising vem quebrar esse esteriótipo racista de que só havia negros violentos em Ruanda e mostra que tudo que nos foi contado até hoje, são histórias interpretadas e criadas por brancos colonizadores, que não tem ideia do que acontecia por lá de fato. Ou seja, a história que nos foi contada, não é a verdadeira. É a racista, criada por racistas, interpretada por racistas. 



   A partir desse pensamento, eu já te aviso que é a típica série que te faz refletir a cada episódio. 



   Kate é uma investigadora, nativa de Ruanda, que foi adotada por brancos na época da crise política, e levada para morar em Londres, em uma realidade totalmente diferente da que ela conhecia. Claro, isso foi na infância, quando ela não tinha muita noção do mundo que a rodeava, mas ela sabia o suficiente pra identificar o quanto brancos são culpados por todo o conflito político criado por lá. Os traumas foram tão marcantes, que ela tem "relapsos" de memória, relembrando de tudo que foi vivido. 



   Logo adulta, se vê obrigada a terminar o trabalho iniciado por sua mãe, promotora, que é convocada pela Corte Internacional para trabalhar nos julgamentos dos genocidas do massacre ruandês. Lógico, para Kate, isso só ressuscitou os fantasmas do seu passado. A partir daí ela passou a viver o conflito familiar e interno, primeiro com sua mãe que insistiu em trabalhar em um caso no qual ela não conhecia de fato, e segundo a sua depressão, conflito emocional no qual ela luta a anos, se tornando dependente de medicação. 



   Com a morte de sua mãe, ela é obrigada a buscar suas raízes, ir até Ruanda pessoalmente, para ajudar a inocentar quem queria salvar os ruandenses, e culpar quem de fato era um genocida. Foi necessário sua atitude, uma vez que para a Corte Internacional, todo mundo era genocida, e a França representava o branco salvador da pátria que deu fim em tudo, quando na verdade, a França foi a principal culpada por fomentar as disputas internas e apoiar financeiramente os rebeldes que defendiam seus interesses colonizadores. 


   Lidar com a realidade e o passado ao mesmo tempo não é fácil. Kate ficou exausta, mas conseguiu resolver conflitos internos. 



   Por ser uma série extremamente crítica e política, é necessário assistir ciente de que te fará quebrar esteriótipos e paradigmas, por mais desconstruído que você seja. Assistir algo que te faça pensar, é magnífico. São poucas as séries que podem nos proporcionar isso.



Por fim, quero ressaltar que a série é protagonizada por Michaela Coel, atriz na qual tenho muito apresso. E tudo que é produzido por ela, eu consumo com altas expectativas, e ela nunca me decepciona. Dela, só produções de alta qualidade. Vale a pena assistir!
   

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