Jayla Venancio

Star: Nasce uma estrela!

08:00:00



Alcançar o topo das paradas de sucesso, é a promessa do trio Take3. Ao apresentar a imagem glamourosa de divas do pop, o grupo se esforça ao máximo para ocultar os bastidores sombrios do mundo da música.

   A série Star, é um fruto que não caiu muito longe de sua árvore, a série Empire (Clique aqui para ler a resenha de Empire) . Inclusive fizeram um crossover na segunda temporada ao procurar Jamal Lyon para emplacar os sucessos do grupo.



   Star, uma cantora órfão, ao completar 18 anos e adquirir sua independência civil, sai em busca de sua irmã mais nova e uma amiga virtual para montar juntas o grupo "Big Trouble". Vale lembrar que apesar do grau de parentesco entre Star e Simone, ambas não se viam á anos devido as falhas do serviço de adoção norte-americano.

   E é aí que se começa a tratar de assuntos reais que saem do glamour visto no mundo midíatico. Simone é salva pela irmã Star enquanto sofria um estupro do próprio pai adotivo.



   Apesar do início que nos traz um choque de realidade, o personagem de Simone só é bem trabalhado a partir da terceira temporada, onde ela deixa de ser a terceira integrante do grupo e passa a ser estrela de cinema. A vida de Simone muda velozmente ao longo da série. Além de trabalhar com a questão da dependência de drogas que ela adquiriu como fuga dos traumas sofridos pelo estupro, também se trabalha a descoberta da personagem quanto sua sexualidade. Afinal, Simone é gay ou não é?

   A propósito, vale tocar no assunto LGBT, por se tratar da série que empregou a terceira atriz trans norte americana. Segundo o Google, a primeiro foi Laverne em Orange is the new Black, e Jamie em Sense8. Em Star, temos a personagem Cotton Brown, uma mulher trans que lida com a dificuldade de sua mãe em lhe aceitar. 



   Não é de hoje que se bate na tecla, a importância de se empregar pessoas trans e de lhes dar espaço na mídia para falar e representar uma comunidade marginalizada. Cotton é importantíssima nesse papel.


   Ela vive os papéis impostos pelos preconceitos, primeiro como garota de programa,e após isso como criminosa. Tudo para financiar o seu maior sonho: a cirurgia de redesignação de sexo, que lhe dará o corpo no qual sempre desejou. Cotton fala abertamente sobre isso, da forma mais humanizada e simples que eu já vi. E ninguém melhor do que uma mulher trans para falar do quanto é difícil viver em um corpo no qual não se identifica.

   Cotton atua da melhor forma possível, apresenta as maiores questões vividas por trans, e também mostra que são humanos tão iguais quanto qualquer ser humano. Não há nada de diferente. 

   A relação de Cotton com sua mãe, Carlotta só melhora a partir da segunda temporada, depois da péssima experiência vivida de negação ao longo da primeira temporada.

  Carlotta, vivida pela lendária Queen Latifah, é uma cantora que já desistiu da carreira de pop star. 



   Sua devoção em encontrar as irmãs Simone e Star se dá pela ligação que Carlotta teve com a mãe das meninas.


   Vale lembrar que estamos falando de uma série musical, então tudo gira em torno de música. Não seria diferente com a personagem interpretada por Queen Latifah. 

   A mãe das meninas fazia par com Carlotta nos anos 90, na tentativa de emplacar musicalmente e lucrar com música. Não deu certo devido ao ciúmes alimentado pelo empresário Jahil Riviera, entre Carlotta e a mãe das meninas. 

   É importante se focar na personagem de Queen Latifah quando se fala da série, não só pela excelente atuação da atriz, como também pelo cuidado ao construir a personagem maternal, que cuida de todo mundo da série, enquanto segue tentando ter sua própria vida. Carlotta é apaixonada a anos por Jahil, tanto que tiveram um filho juntos, e este amor segue intacto ao longo da temporada, mesmo em meio a devaneios e ausências sofridas pelos dois. Carlotta é humana igual a todos nós.

   Por fim, a personagem de Alexandra, interpretada por Ryan Destiny, é fenomenal. Filha de um pop star, interpretado pelo lendário Lenny Kravitz, Alex tenta seguir seu sonho sem sofrer boicotes pelo pai narcisista. 

   Alex cresceu em meio ao luxo e conforto. Mas abriu mão de tudo isso, para realizar seus projetos de vida. Em conjunto com Star e Simone, segue sua carreira de produtora musical, enquanto auxilia no salão de beleza de Carlotta. 

   O papel de Alex é importantíssimo na série, pois traz á tona temas que não podem ser trabalhados com a personagem da cantora Star, como racismo e militância racial. Alex faz questão de lembrar constantemente o peso racial que sua pele carrega, e o quanto isso pode influenciar em sua carreira independente do quanto dinheiro ela possa adquirir. A personagem inclusive se torna foco principal em todas as cenas onde os direitos raciais foram inviolados, incluindo as chocantes cenas de violência policial resultando em morte, expondo a realidade de muitos negros na América, que se tornam alvos fáceis por ações policiais. 

   Alex se envolve com Derek, um militante dos direitos civis cadeirante, que se esforça programando eventos de conscientização racial. 
Um casal perfeito!



   Star é uma das poucas séries que levo em meu coração. Apesar de minha crítica em oferecer muita informação ao mesmo tempo (acontecem várias coisas sem tempo para adaptações ou a criação de um enredo, não dando a ideia de que há um  cronograma a ser seguido) a série expõem a realidade de muitos negros norte americanos, em especial aqueles que buscam alcançar o sucesso na mídia. 



    Recomendo a série, primeiro aos que gostam de séries musicais. Não é qualquer série musical, daquelas chatas que nos fazem enjoar no primeiro episódio. É uma série musical real, com problemas reais, nada utópico. 

Recomendo também aos que gostam de consumir conteúdos negros. Apesar a personagem Star ser o foco da série, posso dizer com total certeza, de que o público alvo da série é o público negro. Toda a história foi escrita tendo como foco questões raciais, e isso inclui Star, que é utilizada nesse meio para se apontar o quanto é privilegiada apenas por ser branca. 

   A série trata de muitos temas modernos e importantes, como dependência química, estupro, transsexualidade, homossexualidade, bissexualidade, imigração, pobreza extrema, violência policial, tráfico de drogas, sistema carcerário, machismo, racismo, estelionato, entre outros. Já dá pra ver que é uma série empolgante, neh?

   É uma série em que viciamos, posso garantir. Você não vai conseguir ficar só no primeiro episódio!

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