Jayla Venancio

Insecure é um acalento pro coração!

13:13:00



   Olha, ainda estou me recuperando das eleições, não sei como. Foi tudo tão extremo, e tão “sentido”, ne? Todo mundo estava a flor da pele.

   Nessas horas, depois de stress coletivos que definem o futuro do nosso país, a gente acaba recorrendo a alternativas relaxantes que nos faça esquecer um pouco do mundo em que nós vivemos.Eu escolhi Insecure.

   Antes de mais nada, quero avisar que falarei desta série com muito mais intimidade do que geralmente falo das demais séries que já postei aqui. De fato, é uma série muito íntima. Não digo íntima no sentido mais plural da palavra. Digo íntima, como se fosse uma velha amiga.


   São poucas as séries nas quais assisto e me vejo nelas. Essa é uma delas.

E quando a série é assim, tão próxima a mim, eu acabo adotando como amiga, e passo a ouvir seus conselhos.

   Insecure é uma série que mostra a rotina de Issa. Uma mulher negra, que lida com as adversidades da vida, e o quanto o fator – ser negra – lhe afeta em absolutamente tudo.


A começar pelo seu emprego.

   Issa trabalha em uma ONG que preza pela inclusão de crianças que se enquadram no que chamamos de minorias hoje. Negras e latinas, que acabam tendo uma educação deficiente, decorrente da omissão do governo. No entanto, a ONG que preza tanto assim pelas minorias, não faz seu trabalho conforme apresenta. A começar pelo corpo de funcionários, tendo apenas Issa como representante de minoria ali.


   Issa acaba tendo que lidar com a situação de ser diariamente “usada” pela ONG pra dizer que há diversidade lá. Coisa chata, porque ao mesmo tempo em que é usada como propaganda, ela também quer sumir de lá e não toma a atitude radical por depender do dinheiro.

   Issa tem suas melhores amigas em especial a advogada Molly.


   Falarei da Molly com muito mais carinho e identificação, por se tratar da minha área, o mundo jurídico. Rs

   Molly é uma advogada bem sucedida financeiramente, mas lida com a desvalorização no escritório em que trabalha. Em certo momento, ela se depara com a realidade, de que o homem branco que trabalha bem menos que ela ganha o dobro que ela que trabalha muito mais no escritório.

Ao contestar seus chefes, ganha apenas um “troféu” de reconhecimento profissional, enquanto que o homem branco continua ganhando mais dinheiro do que pode gastar.

   Molly lida com o racismo no meio jurídico. Não é fácil. Ainda mais por estarmos falando de um ambiente elitizado.


   Ambas tem algo em comum: uma vida amorosa agitada.

Ambas lidam com várias fases afetivas nas quais muitas mulheres vivem. Desde lidar com solidão e se manter ali, sozinha, até passar o rodo em geral sem se importar com o resultado.

   Não vou mentir, as adversidades afetivas são os temas mais interessantes abordados ali. Molly por exemplo, se envolve com um homem poliamorista, e vive o romance ali, entre se desconstruir de seus conceitos, ou escolher um homem que seja somente seu.


Já Issa, logo no início, se vê na situação em que tem que “sustentar” seu companheiro, e se vê cansada de carregar uma casa nas costas sozinha.
Eu te entendo Issa.


   Você deve estar se perguntando, mas Jayla, porque eu assistiria essa série?
Bom, lhe respondo que vale a pena assistir pelo simples fato de que garanto que vai se sentir acolhida, como se estivesse na casa de uma amiga.
A série não é pesada, eu juro! É fofa e delicada rs. Tem suas doses de humor claro. Mas retrata bem a vida de uma mulher negra.
Nós precisamos de séries assim, que nos retrate!

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