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Li e digo: A Escrava e a Fera é uma mancha na Literatura Nacional!

18:21:00

Nos últimos dias vem sendo muito falado nas redes a respeito do lançamento do livro A Escrava e a Fera. Nessa história vemos o relacionamento de uma mulher escravizada com o seu senhor. O livro foi acusado com razão de ser racista e de romantizar escravidão.

A Escrava e a Fera está em pré-venda, mas a autora disponibilizou o livro pra quem quisesse resenhá-lo. Além de estar no meu lugar de fala, li o livro e posso falar com propriedade sobre o conteúdo. Esse livro tem tantos problemas que é difícil saber por onde começar.

Sinopse:
"A dor pode transformar, mas o amor é capaz de curar...
Brasil 1824.
Amali foi arrancada do seio de sua família na África, transportada em condições desumanas em um tumbeiro, que atravessou o atlântico, e vendida como escrava. Os pesadelos só parecem piorar quando não é capaz de compreender nem os outros que vieram na pavorosa viagem com ela. Presa como um animal, vendida em um mercado negreiro e marcada a ferro vai passar por sofrimentos que jamais imaginou quando vivia em sua terra natal.

Ela se tornará escrava domestica de um recluso e frio barão, produtor de açúcar do interior de Minas Gerais, que possui mais marcas do que aquelas que tenta esconder. Sua curiosidade, fará Amali questionar sobre a ala queimada do casarão e trará à tona lembranças que ele tenta esquecer a todo custo.
Em meio a dor, o amor florescerá de uma maneira inesperada para curar a cicatrizes de ambos."

"Existem feridas que nunca cicatrizam." 

Não é preciso ler mais do que a resenha ou mesmo o título da obra para ver o quão racista a história é. Respondendo às críticas a autora disse que irá mudar o título e a sinopse, o que sejamos sinceros, não adianta muita coisa. A não publicação e um pedido de desculpas seriam atitudes melhores.

No seu texto de explicação a escritora diz que fez diversas pesquisas antes de escrever o livro. O que é redundante vindo de uma pessoa que mesmo se explicando usa termos racistas como "denegrir" e "mulato".

Ainda no texto ela afirma que o personagem tem ideias abolicionistas, o que é uma grande mentira. Pois o personagem não só usufrui dos privilégios de ter pessoas escravizadas como concorda com a escravidão. Em muitos momentos o vemos usando termos racistas para se referir a protagonista, além de estar disposto a ‘colocá-la em seu lugar’, para conseguir isso, recorre a castigos. Castigos leves afinal, ele não pode sair do estereótipo de branco bonzinho.

“Quem essa negrinha pensa que é?”
— Barão Fernando 

Para reforçar o quanto seu protagonista é bom, a autora afirma que ele impede que um personagem seja castigado no tronco. O que não é verdade, o personagem é sim castigado e o barão só impede que o castigo continue, não que ele aconteça. E não por não concordar com prática e sim, por que a protagonista estava sofrendo ao assistir esse ato. Ele não pode ganhar status de cruel justo com a mulher com que está se envolvendo, certo?

“Não era tola de testar a ira do senhor, ele costumava ser bem enérgico durante as punições.” 
— Mulher escravizada sobre o barão Fernando. 

Se defendendo sobre a acusação de romantizar estupro a autora falou que não há relação sexual entre os protagonistas e que há sim uma tentativa de estupro, mas o barão acaba impedindo que aconteça e mandando o empregado embora. É extremamente chocante a forma leviana com a qual Jessica Macedo trata algo tão marcante como um quase estupro.

A personagem fica sem sequelas mentais e isso é abordado apenas para reforçar o estereótipo de branco salvador e aproximar ainda mais os protagonistas. A única coisa que vou dizer sobre isso é: estupro não é só penetração.

A crítica que a autora mais recebeu foi sobre esse relacionamento surreal entre uma escrava e o seu senhor. Segundo ela, o envolvimento romântico entre os dois só ocorre após Amali estar livre. Porém no livro vemos que eles estão se envolvendo e se apaixonando muito antes dela sonhar em receber sua carta de alforria. Por isso, essa afirmação é falsa. E não importa se a protagonista casou e teve relações sexuais com o homem depois de ter sido liberta. É uma relação de poder.

Ninguém em sã consciência aceitaria uma história onde, por exemplo, uma judia se relacionaria com um nazista alemão. Mesmo que ele a salvasse da morte e deixasse de ser nazista, seria aceitável? É surreal de se imaginar, certo? Então por que com escravo e senhor é aceitável? Não minimizem a dor do povo negro, não aceitem que diminuam o nosso sofrimento e o dos nossos antepassados assim.

“— Tem algum dos escravos pelo qual tem algum apreço? 
— Não, não tenho. – Ao menos não um escravo.” 
Amali sobre Fernando 

É impressionante como a autora trata a alforria dos escravos como algo facílimo de ser feito e como a solução de todos os problemas. No geral, Jessica Macedo minimiza muito dos problemas graves que os escravizados enfrentavam. Fazendo parecer até mesmo que a escravidão da personagem não era algo tão sério e de tanto sofrimento como, por exemplo, o acidente que matou a mulher do barão e feriu o corpo dele.

Em algumas passagens a protagonista demonstra extrema pena da vida que o barão leva enquanto o barão não sentia nenhuma empatia pelo sofrimento da personagem. Até porque ter algumas cicatrizes é muito pior do que ver seu noivo ser assassinado na sua frente por ‘caçadores de homens’, ser arrancado de sua terra e ser escravizado. Como sempre, a dor do branco é mais importante do que a do negro.

É de dar nojo a forma como a protagonista foi escrita para ter simpatia e amor por aquele que a escraviza. Algumas passagens me embrulharam o estômago. E quando a personagem é liberta, ela não quer ir nem mesmo para outro lugar. Afinal aquele lugar onde foi marcada, escravizada e castigada é a sua verdadeira casa.

“— Está em casa agora, Bela. 
— Sim, estou.” 
Isabela é o novo nome de batismo de Amali 

Além de tudo, o livro ainda passa uma mensagem que o amor romântico cura tudo, que o amor transforma. Isso é algo extremamente preocupante! Muitas meninas e mulheres estão em relacionamentos abusivos, com a ideia de que se elas forem boas o suficiente, vão conseguir transformar uma fera num príncipe. E se não há essa transformação a culpa é delas. Não, o amor não cura tudo, o amor não transforma! Parem de reproduzir isso! Já passou da hora de parar de romantizar relacionamentos abusivos.

“— Vosmicê salvou-me de mim mesmo. Cuidou de minhas feridas, as mais dolorosas, as do coração. 
— Não há nada que um pouco de amor não cure.” 
Fernando para Amali 

Segundo a autora, o objetivo do livro é ‘exaltar a força do povo negro e dos princípios de liberdade e igualdade entre todos, sobretudo entre as mulheres’, mas não vejo isso em nenhum momento. Muito pelo contrário. Como mulher negra me senti extremamente ofendida com o conteúdo da obra.

A única coisa que posso pedir a autora é: respeite o seu lugar de fala. Você não tem que ter voz dentro do movimento negro, fale sobre o seu povo, o seu passado. Dê espaço para que negros contem a sua história na literatura, se isso for a sua vontade. Não venha falar sobre algo que você nunca terá ideia do que é, não fale de racismo se você nunca precisará passar por isso. A voz é do negro, deixe que ele fale.

Para finalizar, afirmo que o livro escrito por Jessica Macedo é racista, tem fetiches, reforça estereótipos, romantiza escravidão, relacionamento abusivo e estupro. A Escrava e a Fera é um livro que não deveria nem ter sido escrito, imagina publicado. A publicação dessa obra, sem dúvidas, é uma mancha na literatura nacional.

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48 comentários:

  1. gostei muito da sua percepção, não cheguei a ler o livro mas pelos comentarios que li sobre a obra o livro não é nada daquilo que a autora falou em suas redes sociais. Eu como escritora concordo que a publicação de tal é uma mancha na literatura, aposto com você que se o livro for mesmo publicado vão se ouvir ainda mais "é por isso que prefiro livros internacionais"
    enfim, concordo com tudo o que disse
    https://dose-of-poetry.blogspot.com.br/

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  2. Quando eu vi os posts sobre o livro fiquei pensando: "Isso não está acontecendo, mas precisamos ver a história também." Mesmo tendo quase certeza de que não tinha como ter salvação. Agora tenho certeza, esse livro é um erro.

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  3. Olá Lorrane, gostei muito da sua resenha. Quando vi a polêmica, confesso que não deu vontade de ler. Livros que reforçam essa ideia de que "o amor" cura tudo são um perigo, ainda mais que a autora teve a audácia de dizer que está fazendo um livro pra ser adotado por escolas... Deus, meu, que medo de adolescentes lendo uma porcaria dessas e achando que negros não tem dor, não tem história e todo homem branco sofre mais. Tenho uma vergonha alheia desse meu povo branco que desconhece local de fala, que nunca viveu na pele e se acha com propriedade para falar de assuntos que não lhe cabem. Conheci seu blog por essa resenha e gostei muito da sua forma prática e acertiva de avaliar.
    Até mais
    http://tudooqueeuleio.blogspot.com.br

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  4. Excelente resenha. Eu já imaginava que se tratava de um livro asqueroso, mas não tinha noção da magnitude! Estou chocada com como o ser humano parece ignorar totalmente o que realmente significa o sofrimento humano. Como a escritora parece não ter nenhuma ideia do que é sofrimento em si e vive num mundo tão fantástico como os de seus próprios livros.

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  5. Que resenha completa, concordo com tudo!!! Essa menina além de não ter pesquisado direito, é extremamente racista. Mudar a sinopse não mudou isso. Beijos e sucesso, vou passar a acompanhar o seu blog!!

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  6. obrigada pela resenha, lorrane! discordo veementemente do discurso de que não dá pra falar do livro sem ter lido, porque só a sinopse já é absurdamente racista e problemática. mas pra quem insiste nisso, que bom que temos o seu texto agora pra mostrar e falar que o livro não resiste à leitura. parabéns pelo estômago de ler uma história dessas e torço pra que a cada dia mais você tenha mais histórias de fato empoderadoras e protagonizadas por negros e negras fortes.

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  7. Oi, Lorrane! Estou realmente grata por ter tido a chance de ler essa resenha tão forte, tão bem embasada. Desde que soube do livro me vi naquele estado de indignação difícil de superar. Pra esse livro faltou pesquisa, faltou sensibilidade, faltou tanta coisa (pela sinopse a gente já imaginava e agora você veio confirmar). O que não tá em falta é gente defendendo autora, editora e esse material lamentável aí, né?

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    1. A autora é dona da editora.
      Fiquei sabendo hoje.

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  8. Nossa, mas que ideia mais absurda pra livro. O pior que eu já vi muita história assim no Wattpadd (que posteriormente até vai pra venda como e-book e afins), e eu fico super chocada. Até porque pelo os comentários que eu vejo, são gurias novinhas que curtem, porque acham que uma relação comepletamente desbalanceada (e irreal) bonitinha, sexy. Inclusive o exemplo sobre "uma judia e um soldado da SS" existe um livro nacional assim, REAL.

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  9. Gente, tô passada.. Não sabia da existência desse livro, mas só pelo nome já dá pra saber que coisa boa não pode ser....

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  10. Parabéns tanto por ter estômago para ler tal livro como também para fazer uma excelente resenha.

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  11. Como eu disse quando me questionaram inbox sobre o racismo da obra: Apesar de ter ancestralidade negra, nasci branca, não tenho direito de falar sobre racismo pois nunca o senti na pele, então quando um Negro fala sobre racismo o direito que eu tenho é calar, ouvir e apoiar como possível. Pois ele, sabe, passa por tudo isso desde que nasceu.
    Sua resenha está maravilhosa, muito esclarecedora, do jeito que esse povo precisa, quase desenhada pra eles entenderem. Infelizmente muitos ainda não entederão e isso me envergonha.
    Sinto muito que exista tal obra e que vc tenha tido que escrever essa resenha, porque alguém não entende o privilégio que tem.

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  12. Muito obrigada por essa resenha, ter ter estomago para ler esta obra, se é que podemos chamar assim. Desde o inicio deu para perceber que em momento algum a sinopse do livro estava errada. Não tem como, uma escritora branca achar que esta certa em escrever algo assim, se apropiando da dor que nunca sentiu, do lugar de fala que não é dela e ainda se achar no direito de dizer que isso está certo (tanto ela quanto a editora, que mesmo como blogueira, espero do fundo do meu coração que eles mudem este pensamento ou saiam do mercado editoral) pois em pleno século 21 não precisamos de coisas deste tipo seja publicado. É simplesmente um absurdo isso. Gratidão imensa por sua resenha tão bem escrita!

    www.malucadoslivros.com

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  13. Acredito que a precipitação em avaliar algo que nem lançado foi, não é o caminho mais inteligente a se fazer. Na sinopse, não diz exatamente que seja algo abusivo.. Trata-se apenas do passado tenebroso de alguém que errou muito e tenta esquecer. E se esse senhor se arrependeu do que fez? Tenta se redimir porque se apaixonou pela escrava? Ninguém sabe ainda. Não é querer romantizar a escravidão, até porque, não há nada de romântico nisso, mas será que na época, não existiu pessoas que tenham se arrependido de seus feitos ou se apaixonado de forma improvável? Melhor esperar o lançamento do livro e só depois, opinar com propriedade. Quanto mimimi. Quem quiser, compre o livro. Quem não quiser, não compre! Simples assim. Vocês têm a livre escolha de comprar ou não um livro. A autora, tem a laberdade de expressão garantida por lei de escrever sobre o que quiser. Antigamente, existiam livros bem piores e não se via esse mimimi todo. Povo chato!

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    1. Claramente uma defensora da autora.
      Vou responder aqui as duas perguntas que você fez:
      1 - E se esse senhor se arrependeu do que fez? R: SE ele se "arrependeu" tinha diversas formas de demonstrar o arrempedimento dele, e já engatando com a segunda pergunta, NÃO, só porque ele casou com uma EX-ESCRAVA (como foi dito no livro, eles só se casaram depois q ela foi alforriada) isso não minimiza em NADA os atos de crueldade dele para com os negros escravizados na fazenda dele.
      É a mesma coisa das pessoas de hoje que usam amigos e parentes negros para minimizar o seu racismo "- ah eu nem sou racista, tenho até amigos negros". Por favor, não enxerga o desserviço que esse livro é quem não quer, quem ainda fica no mundinho de que tudo é ficção e que lá tudo pode.
      Acordem!

      PS: Se a resenha está ai, com trechos do livro, é porque a dona do blog LEU ele, e se ela leu, ela tem propriedade pra dizer o que ela achou, se você não gostou, nem sei o que faz por aqui ainda.

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    2. Quem está se precipitando é você que já vem comentando uma postagem sem nem ao menos ter se dado o trabalho de ler o título. Sim, eu li o livro e estou no meu lugar de fala. Não sei por que devo me calar.

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    3. A vontade de defender o indefensável é tanta que a tal Michelle nem leu a resenha pra saber que todas as respostas dos questionamentos dela estão na própria resenha. Se bobear é a própria autora com fake.

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    4. Não li o livr, até porque, quando comentei nem haviam lançado. Apenas cocomentei pelo mimimi que fizeram. Anos atrás escreviam coisas piores e ninguém falava nada. Hoje, está essa frescura por conta de uma resenha. Minha opinião é, assim como vocês dentro de um vitimismo querem ser respeitados, estou no meu direito de pensar o que quiser a respeito da obra. Vão ler o livro é depois, tenham uma opinião a respeito. Ofender a autora só porque não concorda com o livro, é de uma ignorância extrema. Quem não gostou apenas não compre o livro. Simples assim.

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  14. Estamos em um país, ao menos teoricamente kkk, DEMOCRÁTICO e autores também têm seu direito garantido, inclusive por lei, de escrever sobre o que quiser, pessoas concordando ou não com o conteúdo. Com toda a certeza, deve existir livros muito piores, sobre coisas horríveis e, como essa autora deu um certo "azar" de escrever nessa época nutelada, estão criticando. Leia quem quiser ler. Agora ofenderem a autora da forma como ofenderam, quase que gratuitamente, poderia ser evitado, se nosso povo fosse um pouco mais civilizado. Mas infelizmente, educação, é para poucos.

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    1. E olha que tem piores mesmo, outro dia vi um livro que fala de um homem stalker, que sequestra e mantem em carcere uma garota, depois de um monte de cena de estupro NOJENTA a autora ainda faz os 2 ficar juntos, dizendo que ele melhoraria por ela, e a personagem se esforçando para mudar "a fera" que era o homem... Um nojo
      Ai na ultima cena do livro, eles estão no carro e a mulher fala
      - e se eu tentasse fugir agora?
      o personagem vai e mostra UMA SERINGA COM SEDATIVO

      eu fiquei perplexa, depois de toda cena de abuso, de crime, de estupro, ainda me vem no final mostrar isso....
      nem sei o que deu na cabeça dessa mulher

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    2. Luciana isso aí é a pessoa se auto ajudando, ela fez dois comentários pra tentar corroborar um com o outro, nem dá trela não. Defensora de racista nem é gente. Ela "se preocupa tanto com a autora", mas com quem apanha e morre só por conta da cor até hoje ela se lixa. Se pá é a própria autora com fake.

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    3. Ah, que vitimismo. Cada um é livre para ler o que quiser. Ninguém obriga ninguém querida! Não. Não sou a autor, apenas comentei o post que deu asas à sua imaginação pensando que eu fosse a autora. Vitimismo é tão grande que as pessoas vêem racismo em tudo, mas irem atrás de leis mais duras para impedir os tais atos que dizem ocorrer, nada né? Menos vitimismo e mais ação, por favor!

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    4. Ah, que vitimismo. Cada um é livre para ler o que quiser. Ninguém obriga ninguém querida! Não. Não sou a autor, apenas comentei o post que deu asas à sua imaginação pensando que eu fosse a autora. Vitimismo é tão grande que as pessoas vêem racismo em tudo, mas irem atrás de leis mais duras para impedir os tais atos que dizem ocorrer, nada né? Menos vitimismo e mais ação, por favor!

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  15. Oi, Lorrane!
    Obrigada pelo sacrifício de ler este livro para que pudesse resenhá-lo e comprovar o que já se esperava. Não tenho muito a dizer... Autores do início do século passado tinham mais sensibilidade, ou a mesma, com o assunto. Muito triste que a autora tenha se dado ao trabalho de escrever algo assim e ainda mentido sobre o conteúdo, além de não ter dado um pedido de desculpas satisfatório. E falou muito bem. É importante respeitar o local de fala, e, honestamente, ter semancol... Enfim. Obrigada por trazer essa resenha à tona.

    Maah Heim
    http://betterstayinside.blogspot.com.br/

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  16. Não entendi por que não se pode mais escrever sobre estupro e escravidão. Django Livre fez um sucesso há uns anos e, segundo próprio Tarantino, acendeu a discussão sobre o racismo e a escravidão nos EUA duma forma que já não acontecia há anos. Se a autora foi infeliz quanto aos termos utilizados, quanto ao comportamento dos personangens, que poderiam indicar traços da cultura racista da qual a autora está inserida, isso faz parte da linguagem e da vida dela. Há quem ache temas como esse insensíveis e abusivos, mas censurar um livro não é coisa que se faça. As observações sobre o livro foram sensatas, li bons argumentos, mas... diante da perspectiva da autora, não houve intenção de racismo, ela deixou isso claro. Se "escapou" o racismo, foi por que a nossa sociedade ainda é muito racista. Como críticos, observamos isso nesse livro, nos livros de Machado, de Ziraldo e outros. Mas censurar, não, censura é coisa de ditadura.

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    1. mais um defensor da sinhá escritora, aiai

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    2. Desculpa mas vc está equivocado.
      Não "escapou" o racismo. No livro, pelo que vi da resenha, é cheio de pequenos detalhes racistas. O mínimo que a autora deveria ter feito era ir atrás de pessoas negras ou do movimento negro e pedir orientação pra que esse racismo que "escapou" intencionalmente, nem existisse ali.
      Sem falar nessa parte do "quase estupro". Meu estômago embrulhou quando entendi o que a Lorrane disse.
      Eu custo a acreditar que uma autora não entenda que estupro não é apenas penetração. Eu custo a acreditar que ela romantizou um momento tão complicado como esse. Custo também a acreditar que muita gente não entendeu essa parte (não falo de vc, que fique bem claro).
      Falar de racismo é bom. Esse tipo de discussão é legal mas seria muito melhor se fosse com uma obra correta e não cheia de erros e tão romantizada quanto essa aparentemente é.

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  17. Perfeita a resenha.Só discordo de algo, de ser uma mancha na literatura porque isso não é literatura.
    Há alguns anos comecei a ler romances femininos e,confesso, gosto muito. Há grandes e profissionais escritoras no meio, mas há também nesse meio independente do gênero de romances femininos muitas amadoras, pessoas que se denominam autor que mal sabem escrever, que embasam seus romancinhos em filmes, novelas,sem pesquisas nenhuma, com escritas e enredos pobres, que querem ser escritor de qualquer forma.
    Eu suspeitei que a autora do infeliz livro citado era mais uma dessas,pela resenha é mesmo.
    Um gênero onde usando do termo "libetdade poética" romantizam a violência contra a mulher e, agora, até a escravidao.
    Engraçado que também leio autoras estrangeiras do gênero e nunca vi nenhuna escrevendo, romantizando, o Holocausto.
    Infelizmente, tem publico, e é esse público superficial que a defende, mas me consola o fato de ser apenas mais uma amadora que jamais será reconhecida pela verdadeira literatura e, com certeza, jamais publicada por uma grande editora.

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  18. "Além de tudo, o livro ainda passa uma mensagem que o amor romântico cura tudo, que o amor transforma. Isso é algo extremamente preocupante! Muitas meninas e mulheres estão em relacionamentos abusivos, com a ideia de que se elas forem boas o suficiente, vão conseguir transformar uma fera num príncipe. E se não há essa transformação a culpa é delas. Não, o amor não cura tudo, o amor não transforma! Parem de reproduzir isso! Já passou da hora de parar de romantizar relacionamentos abusivos." Isso vale para 90% das autoras do Nyah e da moderação que passa pano para esse tipo de nojeira.

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  19. Que péssimo. Pior é que bons livros, de mulheres negras sobre suas "escrevivências", como diria Conceição Evaristo, não são publicados. Mas livros racistas são. É realmente inaceitável.

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  20. A sua resenha deveria ser publicada antes mesmo da pré-venda do livro, para deixar claro que é um livro que reforça muitos dilemas que vivemos há anos e pelo amor de Deus, tem autor que ainda tenta romnatizar relacionamento abusivo, violência contra a mulher e até mesmo racismo. Parabéns, adorei a resenha.

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  21. Este comentário foi removido pelo autor.

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  22. Sua crítica é incrível e impecável.
    Nem tem nada a acrescentar (até pq, não é meu lugar de fala).
    Me resta apenas aplaudir seu texto incrível e ressaltar, essa merda nem pode ser chamada de livro e nem devia ter sido escrita.
    Parabéns Lorrane.

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  23. Olá Lorrane. Antes de mais nada, quero dizer que respeito muito a sua opinião e que o trabalho realizado pelo blog de vocês parece ser sério e repleto de comprometimento. Meus sinceros parabéns por isso.
    Agora, falando de sua resenha, eu devo confessar que, em muitos trechos, sua fala me soou como censura: "Você não tem que ter voz dentro do movimento negro, fale sobre o seu povo, o seu passado.". Nas artes de uma forma geral, esse tipo de pensamento é equivocado e muitas vezes, nocivo. E do alto de minha total ignorância, eu explico o porquê: não há - e nem poder haver! - qualquer tema que seja proibido de ser tratado ou explorado em qualquer arte, pois muitas vezes, em muitas ocasiões na história do nosso país e de outros países, a artes foram a voz ÚNICA de uma sociedade. Não se cria com limitações. Não se cria com medos, com receios. Não se cria com regras! A liberdade de criação é algo que qualquer autor que se preze defende com unhas e dentes, simplesmente porque não há meios de se criar uma obra de qualidade sem que haja total liberdade para isso.
    Sobre não poder falar sobre escravidão, ou sobre os negros, outro equívoco. Primeiro que a escravidão não é uma ferida aberta somente para os negros, mas é uma chaga de uma NAÇÃO! Eu sou branca, nunca sofri preconceitos de cor e ainda assim, me envergonho do passado do meu país e sinto-me eterna devedora dos negros e dos povos africanos em especial. A escravidão fez parte de minha história também, infelizmente. E não é calando autores que conseguiremos extirpar o câncer do racismo de nossa sociedade. É debatendo. É refletindo. É educando! É repensando nossas atitudes e nossos conceitos preconcebidos. É nos unindo, e não nos segregando! Isso gera apenas mais intolerância e menos reflexão, percebe?
    Outra coisa que me chamou a atenção é quando você escreve: “Ninguém em sã consciência aceitaria uma história onde, por exemplo, uma judia se relacionaria com um nazista alemão.”. Já ouviu falar da Síndrome de Estocolmo? Se não, sugiro que leia a respeito, é um transtorno psicológico. Qualquer situação em que uma mulher se apaixona por seu abusador, seja um senhor de escravo, um nazista ou um criminoso, é surreal! Mas possível. Absurda! Mas possível. Nojenta e repulsiva! Mas, volto a dizer, possível. E assim sendo, pode sim estar dentro de um tema que um autor queira explorar. Ninguém é obrigado a ler, disso já sabemos. Aliás, ainda falando de relacionamentos abusivos, tenho uma curiosidade: você leu 50 Tons de Cinza? Se sim, o que achou?
    Eu respeito sua dor. Eu respeito sua tristeza e sua ira. E sou solidária a ela. Até posso concordar que o livro é uma merda, assim que o ler e puder tirar minhas próprias conclusões. Mas acho que é necessária uma reflexão, não apenas sua, como de todos nós: estou mesmo fazendo o melhor para defender um povo? Uma raça, um credo, uma cor, um sexo? A ofensa é algo muito subjetivo, Lorrane. Assim sendo, odeie o livro com todas as suas forças! Mas dê espaço para que outras pessoas o leiam e entendam de maneira diversa que a sua sem que lhe pareçam monstros racistas.

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    1. Então Catarina, com todo respeito, você é racista. O seu discurso é o mesmo discurso que nós negros ouvimos desde sempre que diminui nossa dor e tenta diminuir o racismo alheio. Como já diz o velho ditado o pior cego é o que não quer ver, e vocês passam a vida a tentar deslegitimar a luta do povo negro, sempre tentando diminuir nossa dor e o quão nocivos vocês são.
      Você primeiro parece ignorar o papel e a função da arte, que é retratar a realizado do ponto de vista do autor, e portanto é uma ferramente de entendimento de uma realidade, ao retratar uma realidade que não se conhece o autor VAI retratar uma realidade deturpada, nociva, e que reproduz preconceitos e esteriótipos. Então, não, não há uma liberdade total e irrestrita na arte, quem fala isso não tem conhecimento do poder da arte nem de sua importância, a arte é restrita e restritiva, se assim não fosse, não haveria destaque e distinção para certos artistas.
      Logo em seguida você comete um erro absurdo, que só mostra sua ignorância sobre os efeitos do racismo, e ousa falar que a escravidão não é uma ferida aberta apenas para os negros. Então me diga, quando você sofreu por causa da escravidão? Quando você sentiu na pele efeitos de algo que aconteceu a centenas de anos? Me diga, aonde você foi ferida pela escravidão? Que sequela você carrega por isso? Fala que tem vergonha da escravidão mas vem deslegitimar uma crítica a uma escritora e a um livro racista. Você fala que temos que nos unir, mas são os brancos que cada dia mais nos segregam. Nós negros não queremos falar sobre o racismo, não queremos nos lembrar deles, te garanto, dói, machuca, é uma faca enferrujada enfiada no peito, mas os brancos continuam sendo racistas, continuam ignorando o racismo. Nós falamos, mostramos, discutimos, ensinamos e o racismo continua aqui. A escravidão "acabou" a 130 anos, e ainda hoje temos escritoras brincando com um momento tão dolorido na nossa história e tratando de modo tão leviano, ainda temos pessoas defendendo a liberdade desse tipo de gente ser racista, ainda temos pessoas que defendem o direito de uma pessoa racista, escrever um livro racista, publicar um livro racista e ainda tripudiar das reclamações dos negros que se sentiram ofendidos com esse livro nojento, porque sim, a autora fez um post deixando bem claro que não aceita as críticas e acha que as reclamações são "mimimi".
      Só mais uma coisa, estudei pouco de psicologia, tenho amigos psicólogos, e até achei que estava errado quando achei absurdo você comparar o livro com síndrome de Estocolmo, mas dei uma pesquisada e acabou que eu estava certo. Romantizar relacionamento abusivo e síndrome de Estocolmo não são a mesma coisa. Na síndrome não há romance, em momento algum a vítima se apaixona pelo agressor, ela apenas para a se IDENTIFICAR com o agressor, passa a ter empatia pelo agressor, mas raramente cria-se um laço afetivo forte o suficiente em um relacionamento tão abusivo, tanto que o comum é uma pessoa nessa situação fugir, por motivos óbvios. A síndrome é um recurso de sobrevivência, apenas isso, e é um distúrbio mental, utilizar isso como desculpa para amenizar o relacionamento abusivo sem crítica, não faz sentido.

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    2. No final, fala que respeita a dor, e é solidária. Sinto muito, mas não respeita e nem é solidária. Você pode tentar se convencer de que é, mas não é. Você chega a sugerir que a crítica e o pedido de retirar o livro de circulação não é algo útil para o povo negro. Deixa eu te contar uma coisa, nós sabemos o que é o racismo. Nós não precisamos de um livro para nos lembrar o que é o racismo. VOCÊS ignoram o racismo. Esse livro não fará nenhum bem ao nosso povo, ele só vai fazer com que os brancos continuem com a ideia de que a escravidão não foi tão ruim assim, servirá apenas para diminuir nossa dor, para deslegitimar nossa luta, para nos taxar de frescos. Então sim! Essa crítica ajuda nosso povo, os negros, e o impedimento da publicação do livro também ajuda, porque vai ser menos um veículo de disseminação de racismo, vão ter menos pessoas romantizando abuso, vão ter menos pessoas diminuindo nossa dor.

      Por fim, deixo claro que não tenho nada contra você, posso ter sido duro no texto, mas você não faz ideia do que é viver com pessoas como você, ainda que não intencionalmente, deslegitimando nossa dor (dor dos negros), deslegitimando nossa luta e passando pano pra racista. Acredito que você realmente não saiba o quão racista foram alguns dos seus comentários, acredito que teve sim boa intenção, mas como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio, suas boas intenções apenas abre brecha para que o racismo da autora em questão continue, porque ela não acha que está errada e nem está disposta a mudar. Aconselho a procurar saber mais, se tiver algum interesse, sobre o povo negro, nossa dor e nossa luta antes de fazer alguns comentários.

      Sinto muito se te ofendi de qualquer forma, mas não retiro nada do que disse, e falo de novo se for necessário, você não tem ciência do quão nocivo é esse comportamento de passar pano para racistas portanto não se surpreenda se, ao tentar fazê-lo for agredida no processo, pra mim, pelo menos, você e a autora são farinha do mesmo saco, você só tem mais boa vontade, mas continua cometendo os mesmos erros.

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    3. Wadih, você não me ofendeu. Apenas exercitou seu direito de expressar sua discordância e revolta com minha opinião. Contudo, pelo seu tom e suas palavras, percebo que não há qualquer espaço para diálogo e reflexão, portanto, me abstenho de tecer maiores comentários. E também não mudo uma vírgula sequer do que escrevi.
      Sigamos. Em paz.

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  24. Oi, Lorrane!
    Observei todo o desenrolar aquelas brigas no Facebook por causa desse livro e, desde o primeiro momento, quando vi o título e a sinopse, tive vontade de gritar, afinal, o que raio está acontecendo com o mundo??? Eu, também como mulher negra, me senti ofendida pra caramba e quero te aplaudir pelas suas palavras e pela sua coragem, tanto de ler o livro quanto de expor abertamente o que você achou, porque muitas pessoas talvez não o fariam. Você deve ter tido muita paciência pra passar as páginas, porque eu mesma não conseguiria. Enfim, ótima resenha, e obrigada por ela. Em tempos como esse, é importante nós usarmos nossas vozes para combater coisas como essas.
    Beijo e paz

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  25. Ainda acho que esse ibope todo para o livro vai fazer ele vender muito. O melhor a fazer seria deixar esse livro ser esquecido nas prateleiras, se não é bom não será comprado, já com essa polêmica toda, tenho certeza que muita gente irá ler por curiosidade, mesmo a obra sendo ruim.

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    1. Realmente o ibope vai fazer muita gente comprar (só pra detestar depois) mas o problema é que a autora pensa que pode colocar esse livro mas escolas (livro paradidático) e isso seria um desserviço, certo?
      O bom dessa polêmica é que, talvez, essa moça coloque a mão na consciência e não o publique ou adie a publicação e vá pesquisar realmente o que foi esse período pro povo negro (com pessoas negras, de peeferencia).

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  26. Quanta hipocrisia numa resenha só.
    A história do livro se passa durante a escravidão, numa sociedade que funcionava a base da escravatura, como você acha que eram as coisas naquela época? A escritora só retratou as coisas como eram, como as pessoas pensavam.
    Muito estranho seria se ela escrevesse um romance ocultando que a escravidão existiu, como outros por aí fizeram pra ficar mais bonitinho.
    Romantizar a escravidão é horrível, mas tem gente que ama um livro que romantizar relacionamento abusivo, em que o homem trata a mulher como lixo; mas aí tá perdoado, porque o cara é bonito e tem sacanagem.
    Quanta hipocrisia.

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  27. Obrigada Lorrane! Essa situação do livro mostra como brasileiro é racista, no tópico da autora se explicando só tinha gente branca aplaudindo e silenciando as pessoas negras que estavam explicando como o livro era de mal gosto. Lamentável que a autora vai surfar na polêmica também.

    "Ninguém em sã consciência aceitaria uma história onde, por exemplo, uma judia se relacionaria com um nazista alemão. Mesmo que ele a salvasse da morte e deixasse de ser nazista, seria aceitável?" -> Acredita que a Globo já fez isso? Eles não tem noção nenhuma, lembro que teve uma dessas minisséries que se passava nos anos 40 e tinha uma situação dessas. É terrível, essas pessoas que dominam os meios de comunicação não tem tato nenhum.

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  28. Como mulher negra só tenho a agradecer por esse texto super forte e tbm parabenizar pela coragem de escrever abertamente sobre isso. Simplesmente amei essa postagem.

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  29. Vi muita gente criticando o livro sem ler, com violência, batendo pesado e estou aqui encantada com você e seu trabalho de leitura e sua resenha tão conscienciosa. Parabéns pelo seu trabalho. Só digo isso! Falta as autoras brasileiras que escrevem romances históricos um passeio pela historiografia do século XVI, XVII, XVIII e XIX, elas sentam e botam para escrever contando só com o conteúdo do livro didático e quando vão um pouco mais longe pegam "Casa Grande e Senzala" sem se da ao trabalho de ler as criticas que esse livro sofreu ao longo dos anos. A Historiografia da escravidão produzida no Brasil é extensa e bem feita, existem autores maravilhosos que escrevem divinamente, nos portais da universidade, na plataforma Lattes, no google acadêmico, nas livrarias existem inúmeros livros, mas o povo não ler, pega a formula dos romances históricos que falam da Inglaterra oitocentista, aplicam a realidade brasileira e me desculpe a palavra: cagam, ferem, violentam...

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  30. Olá
    Depois de ler seu texto resenha e ler alguns comentários aqui (cada absurdo minina) acho que posso comentar. Bom, eu não sabia sobre a existência desse livro. Fiquei sabendo em um blog que sigo (que agora me fugiu o nome) e ela lincou o seu post. Fiquei curiosa e vim ver. Eu sou branca, descendentes de italianos que vieram pro Brasil depois de já ter acabado a escravidão (ao menos por lei). Não sei o que é ser criticada pela cor da minha pele. Sei que o é ouvir coisas como leite azedo, branquela, transparente, lagartixa e coisas assim, mas em nenhum momento da minha vida a minha cor me impediu de fazer algo, talvez o fato de ser mulher sim, mas enfim. Eu estou em choque por saber que existe um livro assim. Tem tantas outras formas de retratar essa parte terrível da nossa história. Eu já li livros onde existem personagens escravos e se passa uma lição bonita. Em nenhum deles eu vi romantizar a relação de poder de um senhor com a escrava. O pior é a autora tentando defender o indefensável. Acredito que na arte todo mundo tem direito a se expressar, mas como seres humanos também temos que ter a consciência que a nossa liberdade termina onde a do outro começa. Eu não tenho autoridade nenhuma para falar sobre as lutas dos negros, logo eu não vou falar e se eu falar e alguém me disser que aquilo pode ser levado como racismo, eu tenho que abaixar minha cabeça e me desculpar.
    O povo nos comentários dizendo que é mimimi e tals... Quanto vocês tão recebendo da autora pra comentar isso em todo post falando algo negativo sobre o livro? Eu não tenho interesse algum em ler a obra, mas se eu lesse e falasse que era uma obra preconceituosa, vocês iriam falar isso no meu post também?
    O mundo precisa de empatia. Eu não sei por qual motivo, mas eu tenho uma sensibilidade muito grande quando se trata do período de escravidão. Se você acredita em vida passada, acho que na minha anterior eu devo ter sido escravizada, ou eu apenas fui bem educada pelos meus pais e tenho empatia pelo próximo. De qualquer forma, eu sempre me emociono muito com histórias assim, porque não cabe na minha cabeça que algum ser humano possa ter se achado superior a outro somente pela cor de sua pele. Acho que isso virou mais um texto que um comentário. Peço desculpas se falei alguma asneira. Seu post é incrível.
    Um beijo gigante e te desejo toda a força e apoio do mundo

    Vidas em Preto e Branco

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