RESENHA - Passarinha


Olá Dreamers, tudo bem? E hoje vim postar a resenha do segundo livro da Maratona Literária #EuTôDeFérias, sim, eu sei. Já estou enrolada. Preciso correr pra conseguir concluir a maratona.
Enfim, o livro é Passarinha. Eu já o estava namorando desde o lançamento, consegui uma promoção e comprei. E só agora fui lê-lo. Vamos a resenha: 

Título: Passarinha 

Autora: Kathryn Erskine

Número de Páginas:  224 

Editora: Valentina

Skoob: Adicione 



No mundo de Caitlin, tudo é preto e branco. Qualquer coisa entre um e outro dá uma baita sensação de recreio no estômago e a obriga a fazer bicho de pelúcia. É isso que seu irmão, Devon, sempre tentou explicar às pessoas. Mas agora, depois do dia em que a vida desmoronou, seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai – a si mesma e todos a sua volta –, mas, sendo uma menina de dez anos de idade, autista, portadora da Síndrome de Asperger, ela não sabe como captar o sentido.

“Finesse quer dizer fazer uma coisa com tato e habilidade ao lidar com uma situação difícil. É o que eu tento fazer todos os dias para Lidar Com essa situação difícil chamada vida.”

Caitlin, que não gosta de olhar para a pessoa nem que invadam seu espaço pessoal, se volta, então, para os livros e dicionários, que considera fáceis por estarem repletos de fatos, preto no branco. Após ler a definição da palavra desfecho, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam. E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores, confuso, mas, belo.


“Escuto um grito e só quando tento fugir para longe, MUITO LONGE, mas, ele não para de me seguir, é que percebo que sou eu.”

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Uma das coisas mais incríveis e bonitas de ler é a leitura nos proporcionar a capacidade de viver uma vida que não é nossa e enxergar através dos olhos de outra pessoa. É sentir como se fosse em nosso corpo.  Sentir coisas boas ou ruins.

É entender, nos abrir os olhos pra algo, é nos fazer pensar: “Ah, uma pessoa assim se sente dessa maneira!” Mesmo que isso só ocorra em algumas páginas, mesmo que só dure algumas horas.

Isso se dá com vários livros, os chamados polêmicos, fortes, os que algumas pessoas não conseguem concluir a leitura por toda a intensidade de sentimentos e dor que trazem a suas mentes e corpos. Vemos vários exemplos, como livros que falam sobre transtornos alimentares, sobre automutilação, sobre doenças mentais, sobre abuso sexual e etc.

Esses são, para mim, as melhores leituras. Os livros que te ensinam a ver na perspectiva do outro e ainda no fim, trazem aquela dor no coração que vem acompanhada de um calorzinho que acalma e aquece a alma. 

E apesar da leitura não durar pra sempre, todos os aprendizados e a empatia que desenvolvemos por algum grupo de pessoas, estará eternamente marcado em nós. Como se fosse marcado a fogo.

Amo os livros que me emocionam, me fazem pensar. Ao mesmo tempo em que me ensinam e me divertem. E esse é o caso de Passarinha.
Caitlin é uma garota especial, não só por ser autista e ter Síndrome de Asperger. Ela é aquele tipo de criança que dá vontade de levar pra casa e fazer carinho até as mãos ficarem dormentes. O modo como ela vê o mundo é incrível! Esse jeito me lembrou muito o de Jason do livro Tudo Menos “Normal”, (resenha aqui), que também é autista.

“Começo a agitar as mãos porque o mundo está girando e quando eu agito as mãos mais depressa do que o resto do mundo, as voltas do mundo não parecem tão rápidas.”

Foto tirada pela blogueira, Instagram @dreamsebooks
Kathryn Erskine faz seus leitores verem o mundo através dos olhos de um autista, e isso é maravilhoso. 

Assim como Nora Raleigh Baskin  ela faz isso de uma forma incrível! Mas, Kathryn consegue fazer-nos ir mais a fundo, transformando essa visão em algo bem mais intenso. 

“Estou respirando com força e sentindo vontade de sair da minha pele, mas, trinco os dentes e agito as mãos com mais força e me viro e fujo dali e escuto gritos, mas, não sei se é aula de música, ou Mia ou eu.”


Quem ler Passarinha, com certeza vai se surpreender com as coisas que pras outras pessoas são tão insignificantes, mas, que para alguém que tenha Autismo ou Síndrome de Asperger são quase insuportáveis. Contato físico, contato visual, manter uma conversa... Coisas que fazemos o tempo todo sem nem mesmo perceber e os afeta de uma forma imensa.

“Um monte de vozes falando sem parar, sugam o ar dentro dos lugares até eu me sentir como se fosse sufocar.”

A forma de escrever da autora é perfeita! Ela te suga para dentro do livro, e te aprisiona nele até concluir a leitura. Eu fiquei um pouco surpresa ao saber que esse é o livro de estreia dela. Pra mim, ela deveria ter anos luz de experiência para conseguir criar algo tão magnífico!

A leitura flui super rápido, quando você vê, já está na página 150 e começa aquele medo de terminar logo o livro, contrapondo com a ansiedade de terminá-lo.

Não há nenhum erro. A capa é lindíssima e no início de cada capítulo, há um passarinho. O que combina demais com a estória. 

Você não deve ler o livro esperando um final surpreendente ou uma reviravolta enorme. Tudo acontece aos poucos, você vê Caitlin caminhando lentamente até o desfecho que tanto anseia. Mas, nem por isso, o livro deixa de te emocionar. Você se emociona muito ao longo do livro, se encanta pelas situações fofas que ela vive e também ri muito. Não de Caitlin, mas, de suas respostas objetivas e em até um ponto, desaforadas. Ela simplesmente é direta e diz exatamente o que vem a sua mente.   

Mas, na hora que a autora quer te fazer chorar, ela consegue e muito. Seu coração fica apertadinho quando vê o quanto as pessoas não conseguem compreendê-la, como julgam algumas atitudes dela. Se conseguissem ver o que ela vê, entenderiam suas ações! 

Kathryn escreveu esse livro “na esperança de que todos possam compreender melhor uns aos outros.” E ela não poderia ter alcançado seu objetivo de forma mais gloriosa!

“- A vida é especial.
- Quer dizer... que não sou só eu que sou especial? Tudo na vida é?
- Isso mesmo.
Acho que a boa notícia é que todo mundo vai ter que aguentar ser especial, porque todo mundo está vivo.”


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