RESENHA - A Hora da Verdade

Olá, leitores! Tudo bem?
Como vocês já estão sabendo, estou participando da Maratona Literária #EuTôdeFérias e hoje vou postar a resenha da primeira leitura. 


Título: A Hora da Verdade
Autor: Pedro Bandeira
Número de páginas: 168 
Skoob: Adicione

Pedro Bandeira é meu autor favorito, sei que todos vocês já sabem disso, mas, não me canso de dizer.

Uma das muitas coisas que eu admiro nele é sua capacidade de fazer adaptações modernas de clássicos da literatura. Uma dessas adaptações é A Marca de Uma Lágrima, meu livro favorito. É uma adaptação de 1985 da peça de teatro Cyrano de Begerac, escrita em 1897 por Edmond Rostand, baseada na vida de Hector Savinien de Cyrano de Bergerac; escritor francês.

 Outra adaptação dele é o livro da resenha de hoje, A Hora da Verdade, adaptação de Otelo de Willian Shakespeare e de Dom Casmurro de Machado de Assis. Ambos os livros falam de ciúme e é esse o tema central de AHV. Dom Casmurro foi inspirado em Otelo e A Hora da Verdade, em ambos. 

Saímos das páginas de Otelo e Dom Casmurro e encontramos no lugar de Iago e José Dias, Iara, uma jovem jogadora de vôlei. Encontramos também, Adele, melhor amiga de Iara e jogadora de vôlei no mesmo time, que corresponde a Otelo e Bentinho. 

Estamos no começo dos anos 2000, Adele estuda na escola Carlos Queiroz Telles, é uma jogadora brilhante, ótima aluna e amiga maravilhosa pra todos, principalmente pra Iara. Só que ela sofre bastante com um monstro que a ronda em todos os lados: o preconceito racial. Adele é negra e isso não é muito bem aceito por ninguém, apesar do que digam.

E pra piorar, ela conquistou o coração de Desmond, um jovem inglês que vive no Brasil, jogador no time masculino da escola. Muitas pessoas não aceitam bem o namoro de uma menina negra com um loiro.

Iara é uma dessas pessoas, apesar da grande amizade, ela morre de ciúmes do namoro dos dois, já que antes de Adele ir estudar no Queiroz, Iara é que namorava Desmond.
Iara deixa o ciúme ir a consumindo aos poucos, até tomar conta dela totalmente.

“O ciúme é um monstro que cria a si mesmo, que se alimenta de si mesmo.
(...) O ciúme é um monstro de olhos verdes que destrói o próprio ser que ama!”

 E então, ela começa um jogo onde seu principal objetivo é ter Desmond de volta, não importando o que precise fazer pra isso. E nem as consequências desses atos.


“O que importa, são os resultados. Para se conseguir violetas mais cheirosas, deve se usar estrume de porco.”

**

Tem algo que não sei definir o que é na forma de escrever do Pedro Bandeira, que me prende e me emociona. Isso vai desde a parte onde ele deseja que os leitores tenham uma boa leitura, até a última frase do livro. É algo incrível e genial e por isso eu o amo tanto!

Com A Hora da Verdade, não foi nada diferente. O livro me prendeu desde o começo. A estória é ótima! O ritmo é agradável, a leitura flui rápido, não é super parado e nem daquele tipo onde acontecem 10 mil coisas por parágrafo.  
Há ao longo do livro, indicados por número, vários trechos de Dom Casmurro e Otelo que foram recriados por Pedro Bandeira.  No fim do livro, há os trechos originais. Eu gostei muito disso. Faz com que as pessoas que ainda não leram esses livros tenham vontade de lê-los.

Além de ciúme e preconceito, Pedro Bandeira também fala muito sobre a amizade falsa. Como Iara pode ser a melhor amiga de Adele e elaborar planos pra destruir sua felicidade? Como pode em todo momento, achar que ela é menos merecedora do amor de Desmond por ser negra? Uma amizade é real quando é um muro construído com pedras de mentira?

“Nem todos neste mundo podem ser amigos e nem todos os amigos merecem confiança!”

Ciúme e preconceito racial são assuntos polêmicos e o Pedro soube trabalhá-los de uma forma incrível. Ele mostrou que apesar do que digam, ainda há sim um preconceito racial imenso.  As pessoas ainda olham feio pra um casal de raças diferentes, ainda vigiam uma pessoa negra em um lugar aonde há coisas de valor, como se ela fosse roubar algo; ainda há aquilo de que se for negro é ladrão, é desonesto, de que ‘preto se não suja na entrada, suja na saída’, de que se faz algo errado ‘só podia ser preto’ e todas essas coisas que pessoas negras são obrigadas a ouvir e passar durante a vida.

Adele vive isso, seus colegas, os professores e as pessoas ao seu redor, todas têm preconceito com a cor da sua pele. Como se a cor da sua pele fosse mais importante do que a da sua alma. (Alma aqui, no sentido do que ela é por dentro). Se Adele é uma pessoa tão boa por dentro, importa mesmo se ela é branca, preta, amarela ou vermelha? Importa como ela aparenta por fora se é bonita por dentro?

AHV é um livro que além de tudo, faz refletir. Após a leitura dá pra pensar um pouco em valores, dá pra pensar até que ponto alguém pode ir por ciúmes e/ou quão importante deve ser o que a pessoa é por fora. 
Eu mais que recomendo a leitura de A Hora da Verdade pra qualquer pessoa de qualquer idade!

Pedro Bandeira ensina valores ao mesmo tempo, que diverte e distrai. Esse seu dom deveria ser aproveitado nas escolas, por exemplo, colocando AHV como uma das leituras do ano. Nunca é tarde demais pra ensinar a amar e respeitar o próximo e suas diferenças. Que isso comece desde pequeno!

“Não há amor quando a consequência é a dor e o sofrimento.”

Tecnologia do Blogger.