CRÔNICA - Assim Como as Pessoas por George dos Santos Pacheco











                                                                                                     
Olá gente! :) 
Trouxe hoje uma nova coluna na blog: Crônicas. Foi inspirada naquela 'última página' de revistas pra adolescentes. Todo último dia do mês postarei uma crônica feita por algum autor especialmente para o D&B. 
Qualquer autor que queira ver uma crônica sua por aqui, só entrar em contato comigo. 
A crônica de hoje foi feita por George dos Santos Pacheco. Espero que gostem:



Assim Como As Pessoas


O primeiro livro que eu me lembro de ter lido foi “A Maldição do Tesouro do Faraó”, do Sérsi Bardari. Ele conta a história dos irmãos Roxana e Ciro, que viajam para o Egito com o pai, e se envolvem num intrigante caso de polícia, quando nada mais nada menos que a coroa de Tutancâmon é roubada do museu, e Péricles, seu pai se torna o principal suspeito do crime.
O livro é ótimo, tem diversas referências à cultura egípcia, e fazia parte da coleção “Vaga-Lume”, com outros tantos títulos de sucesso, como “Éramos Seis” e “O Escaravelho do Diabo”. Esta coleção de livros, juntamente com “Para Gostar de Ler”, influenciou gerações de crianças e adolescentes, sendo o marco inicial do interesse por literatura para muitos. Esse foi o meu caso. De lá pra cá vieram Machado de Assis com “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, os contos de Stanislaw Ponte Preta, e os policiais estrangeiros “Cem gramas de centeio”, “O Assassinato no Expresso do Oriente”, e “Aventura em Bagdá”, entre outros de Agatha Christie.
Minha predileção por livros policiais me levou a rascunhar, ao final do Ensino Fundamental algo que um dia poderia até se chamar de romance, nas últimas folhas do caderno, mas acreditei que aquilo era erudito demais para mim, e abandonei o sonho. Isso não afetou, felizmente, meu interesse por leitura.  Aquele rascunho se perdeu por aí, mas eu continue lendo. Anos mais tarde retomei anos o desejo de escrever por causa de outro escritor: Sonia Belloto. Ela lançava “Você já pensou em escrever um livro?”, e dialogava com Leda Nagle em seu famoso programa de entrevistas. Cara, parecia que o recado estava sendo dado diretamente para mim. Então decidi embarcar de vez nessa aventura. Meu primeiro trabalho foi um romance policial curto, “O fantasma do Mare Dei”, seguido de um conto em uma antologia, “Um Anjo Redentor – Assassinos SA Vol. II”, pela mesma editora. Então criei um blog, publicando nele meus textos e de amigos nefelibatas como eu, participando também dos sites deles e de muitos outros dedicados à Literatura.
Mas aonde você quer chegar com tudo isso, Pacheco? Bem, eu quero ser um autor de sucesso, e viver só de literatura, igualzinho aos escritores em filmes americanos; quero que meus textos sejam mais que diversão, possam provocar o leitor e fazê-lo refletir sobre si mesmo e sobre a sociedade.
Ahn? O quê? Ah, vocês querem saber onde eu quero chegar com essa crônica? Ah, bem! Pois é... a família e a escola são as principais instituições que formam o cidadão. Ora, foram as boas escolhas de títulos por meus professores e o incentivo de meus pais que me ajudaram a gostar de ler.  Assim, o trabalho dos mestres e o apoio da família são os responsáveis diretos pela aquisição do gosto pela leitura pelas crianças, ou a traumatização – ou não – desse hábito, que pode nunca chegar a se formar.
Todos tem que se dar conta disso.  Afinal, os livros fazem pensar. Não foi à toa que em 10 de maio de 1933, as obras de escritores alemães, inconvenientes ao regime nazista, foram queimadas nas praças de diversas cidades da Alemanha, como também foram queimadas pela Santa Inquisição na Idade Média.
A leitura na escola abriu as portas para que eu buscasse os livros por conta própria, visto que ela teve para mim muito mais que um enfoque pedagógico, se traduzindo em experiências realmente significativas. Os livros foram mais “espelhos” do que “janelas”, onde eu me reconhecia nos personagens e nos dramas que eles viviam, e é exatamente essa característica que nos interessa: a capacidade de instrumentalizar o cidadão para enxergar e atuar criticamente na sociedade, promovendo mudanças significativas.

Certamente, eu seria uma pessoa muito diferente se não tivesse adquirido o gosto pela leitura e se os livros não tivessem passado pela minha vida da forma que passaram. Pois assim como as pessoas são os livros, deixando um pouco de si e levando um pouco de nós; e também como os livros são as pessoas: por mais que nos pareçam prontos e acabados  possibilitam uma infinidade de leituras e significados, enquanto houver interesse em lê-los.

**

George dos Santos Pacheco é escritor, em criou a 2009 Revista Pacheco. Em 2014 foi feito um curta-metragem inspirado em seu conto A Dama da Noite.
Tecnologia do Blogger.