RESENHA - O menino do pijama listrado

     Com um enredo realista e descrição viva O menino do pijama listrado consegue ser doce e forte, prendendo o leitor da primeira a última página e deixando um amargo sabor de quero mais no fim.
     Sei que já falei isso na minha resenha de As vantagens de ser invisível (link) mas o mesmo se aplica a este livro, os personagens (principalmente Bruno, o protagonista) são muito bem trabalhados e a história é muito doce, dotada de uma sensibilidade pueril e gostosa de se ler do começo ao fim.
     Bruno e sua família vivem em Berlin numa época não tão favorável... Bem, não tão favorável para ciganos, comunistas, judeus, testemunhas de Jeová e homossexuais, quanto para Bruno e sua família, tudo ia perfeitamente bem até que seu pai, um militar de alta patente, recebeu uma designação do próprio Führer, o que envolvia a mudança de toda família para um local bem menos movimentado e considerado por alguns membros da família como inadequado.
     Com muito tempo livre e uma grande propriedade a sua disposição, Bruno resolve explorar aquelas terras e faz uma grande descoberta: Um imenso campo com pessoas que usam o mesmo pijama listrado. E ainda faz outra descoberta com valor ainda maior: Um amigo.
Capa nacional

     Shmuel e Bruno começam a passar longos períodos de tempo juntos, diariamente Bruno encontra seu amigo e, separados pela cerca, conversam por horas. Shmuel, um judeu, sofre pelos mesmos problemas que todo seu povo naquele campo de concentração: fome, maus tratos e diversos abusos. E nesse quesito a amizade de Bruno se torna um verdadeiro refrigério, seja por levar comida esporadicamente ou seja simplesmente por dar a sua amizade e tempo, um grande sentimento de conforto e satisfação surge nesse improvável exemplo de companheirismo.
     Mas nem tudo são flores. Em certo momento algo que abala profundamente ao menino judeu e que de certa forma atinge a Bruno, que, por sua vez, também é abalado com uma (boa?) notícia que pode acabar separando-o de seu mais novo amigo.

     Sempre que comento sobre esse livro com algum amigo ou o indico a única ressalva que faço é a seguinte: Este livro peca apenas em um aspecto: Ele poderia ser maior! Mas me aproveito do adágio para dizer: Tamanho não é documento, e este pequeno-grande livro é a prova (viva?) que não.
     O filme baseado neste livro foi lançado em Dezembro de 2008, e caso não tenha visto há a versão completa disponível no youtube (link), e em breve faremos uma crítica ao filme aqui no blog.
Shmuel, imagem do filme homônimo
INFORMAÇÕES
Páginas: 186
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das letras
ISBN: 9788535923063


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