RESENHA - A menina que roubava livros

 É um pouco difícil resenhar livros tão comentados. Na realidade, é demasiadamente difícil. Mas com muito receio eu resolvi resenhar este livro tão tocante.
 Estamos a algumas semanas do lançamento do filme aqui no Brasil e uma ideia legal é ler o livro antes de assistir ao filme, para saber o que o autor realmente quis passar com a história e ter uma boa base para entender/julgar o filme (todos sabemos que adaptações nunca são tão boas quanto os livros).

 Sinopse: A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.
 Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.
 A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

 Liesel Meminger é uma menina que perdeu seu irmão numa viagem de trem enquanto era levada por sua mãe para uma nova família. Hans e Rosa Hubermann a recebem bem, embora sejam muito limitados financeiramente. Não somente seus pais adotivos como as crianças da vizinhança a recebem muito bem, criando um ambiente agradável para ela e muitas partidas de futebol na rua.
 Liesel tem pesadelos com a morte de seu irmão, Werner, e ao acordar gritando Hans, seu pai adotivo, a ajuda. Isto se repete diversas vezes e Hans começa a ajudar Liesel a melhorar sua leitura. Este "ritual" se repete noite após noite. Com o tempo a rotina na casa dos Hubermann acaba sendo drasticamente modificada com a chegada de Max, um judeu ajudado pelos pais de Liesel devido a uma promessa feita por Hans ao pai de Max durante uma guerra. Max e Liesel se aproximam, unidos principalmente pelo gosto pela leitura e pelos fantasmas do passado.
 Liesel se aproxima também de Rudy, um menino de cabelos cor de limão, e aos poucos uma forte amizade é iniciada, uma cumplicidade única e fortalecida principalmente pelo roubo. Sim, pelo roubo. No início pelo roubo de frutas em uma propriedade próxima, depois pelo roubo de livro na casa do prefeito.



"• UMA IDEIA BONITA 
Uma, roubava livros.
O outro, roubava o céu."

 O clima de guerra que permeia o livro torna a história indescritivelmente fascinante. A candura dos personagens e principalmente da narradora amenizam, de certa forma, os impactos e notícias da guerra. Mesmo em um ambiente onde a violência marca tão profundamente os personagens encontramos grandes exemplos de altruísmo e de amor. Na realidade o amor serve como uma muleta para os corações feridos daquelas pessoas que perderam tanto parentes como amigos de formas dolorosas, e é este mesmo amor que une a família e amigos de Liesel neste período crítico.
 O livro é muito bem ambientado e a narrativa é bem detalhada, gerando imagens vívidas e marcantes em nossa mente. Com certeza uma ótima pedida para sair daquela velha rotina literária.


"• UMA ÚLTIMA NOTA DE SUA NARRADORA: 
Os seres humanos me assustam."

 A narradora do livro (embora ela seja revelada logo no início da história eu não a revelarei aqui) contribui, de certa forma, para o grande impacto que a história causa em nós, por ser uma personagem de peso. As notas feitas pela narradora no decorrer da história são realmente relevantes e interessantes, passamos a adquirir um ponto de vista mais completo da história e compreendemos melhor o que lemos. Mas há um ponto negativo (ou talvez não tão negativo): A narradora ama spoilers. Sim, ela o faz diversas vezes. E algumas vezes acabei revoltado, mas... Faz parte.




INFORMAÇÕES
Páginas: 480
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580574517



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